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Aula lá fora é uma série de tv com 15 programas de 30
minutos cada e tem como objetivo a formação continuada de
professores da educação infantil, do ensino médio e educação de
adultos, com ênfase em aulas-passeio, atividades extra-classe
e no estudo de meio.
Os programas se aprofundam na pedagogia atual, procurando explorar o afeto, a expressão, a autoria e a comunicação das crianças, observando como isso acontece nas atividades feitas com a classe fora da sala de aula.
Os programas Aula lá fora foram exibidos pelas TVs:



O programas da série Aula lá fora são exibidos pela TV Escola (veja a grade de programação em http://portal.mec.gov.br/tvescola/) e os episódios estão disponíveis para download em www.dominiopublico.gov.br
Cada programa documenta uma sala de aula de uma escola da rede pública municipal de Santo André, na região do ABC, em São Paulo, e seguem uma estrutura básica: primeiro, o educador define e planeja com seus alunos os conteúdos que serão desenvolvidos na aula passeio.
Depois, cada turma tem uma "Aula lá fora" diferente: a Pinacoteca, a redação de um jornal, o parque, a usina de reciclagem, a gráfica, a feira do bairro, o posto de saúde, enfim, são 15 Aulas lá fora ao longo da série e nelas as crianças usam várias formas de registros, inclusive uma câmera de vídeo e duas câmeras fotográficas disponibilizadas pela produção da série.
Na volta à escola, os alunos consolidam, num trabalho coletivo, o que viram e aprenderam durante as atividades.
Dois apresentadores se revezam indicando os pontos pertinentes que devem ser observados durante as aulas
documentadas. Consultores em campo observam o trabalho e propõem encaminhamentos para que as atividades
práticas avancem no sentido de uma ação mais viva, na qual os alunos relacionam o que vivenciam nas aulas lá fora
com suas vidas. E os próprios professores comentam como suas turmas desenvolveram os trabalhos antes, durante
e depois da "Aula lá fora".
A série Aula lá fora fornece recursos para enriquecer as ações planejadas pelos professores, estimula a
interdisciplinaridade e tira os alunos do ambiente fechado da sala de aula, mostrando que uma Aula lá fora é um
espaço privilegiado para a formação de conhecimento e para a elaboração de conceitos.

FONTE: http://www.aulalafora.com.br/


Ana Maria Eyng (PUCPR): trabalho com projetos traz diversos benefícios

A pedagoga Ana Maria Eyng é professora titular da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e pesquisadora no programa de pós-graduação em educação da mesma instituição.

Com doutorado em Inovação e Sistema Educativo pela Universidad Autonoma de Barcelona, na Espanha, Ana Maria atua, principalmente, com os seguintes temas: projetos pedagógicos institucional e de curso, formação de professores, políticas educacionais, e gestão educacional.

Em entrevista ao Jornal do Professor, Ana Maria diz que são diversos os benefícios proporcionados pelo desenvolvimento de projetos. Cita, entre eles, a abordagem interdisciplinar no processo ensino-aprendizagem e a ação colegiada no processo pedagógico, além do potencial mobilizador, que gera motivação, desafio, gratificação e maior fundamentação na formação teórica e prática de alunos e professores.

Jornal do Professor – Quais os principais benefícios que o desenvolvimento de projetos na sala de aula pode trazer para a escola, professores e alunos?

Ana Maria Eyng - É importante assinalar, inicialmente, que as demandas educativas atuais estabelecem desafios novos para a escola, professores e alunos. Essas demandas exigem que sejam ampliados os entendimentos, os tempos e os espaços da sala de aula.

O trabalho com projetos que tem como foco a aprendizagem amplia o entendimento, o tempo e o espaço da sala de aula. Tanto a reflexão teórica quanto as experiências de aplicação demonstram que os benefícios proporcionados pelo desenvolvimento de projetos são diversos. Num trabalho de formação continuada de professores de uma rede municipal de ensino do Estado do Paraná, que tive o privilégio de assessorar e no qual pudemos estudar, planejar, aplicar e avaliar o trabalho com projetos, ao final sistematizamos os benefícios possibilitados.

Assim, podemos listar como benefícios do trabalho com projetos que abrangem a escola, os professores e os alunos:

1. a avaliação do projeto da escola;

2. a formação continuada dos profissionais da escola;

3. a aprendizagem continuada do professor no movimento ação-reflexão-ação extensivo a toda a organização escolar;

4. a ação colegiada no processo pedagógico;

5. a prática pedagógica reflexiva;

6. a superação das dificuldades de aprendizagem (de alunos, professores e da escola), manifestadas por intermédio da rotina, insegurança ou medo;

7. a quebra de paradigmas superando modelos mentais arraigados;

8. a apresentação de potencial mobilizador, gerando motivação, desafio, gratificação e maior fundamentação na formação teórico-prática de alunos e professores;

9. a abordagem interdisciplinar no processo ensino-aprendizagem;

10. a melhora da aprendizagem no processo pedagógico;

11. a ampliação do espaço e do tempo da aprendizagem.

Gostaria de destacar que esses benefícios, em conjunto, poderão efetivar a educação básica de qualidade para todos.

JP - Em sua opinião, o desempenho dos alunos apresenta melhora com a implantação de projetos? De que forma?


AME – A melhora é sem dúvida bastante significativa, o que se pode constatar pelos avanços relatados na resposta anterior. Além disso, gostaria de acrescentar que os problemas de comportamento (tais como competição, indisciplina, indiferença, acomodação, briga, desrespeito, conflito) e as dificuldades na aprendizagem (tais como atenção, aprender a pensar, audição, dicção, interpretação, concentração, coordenação motora, expressão corporal, leitura e escrita, matemática – situações-problema, tabuada, divisão, associar o número à quantidade, etc.), relacionados pelos professores no início da capacitação, já referida, foram atenuados e/ou superados.

Isso ocorre quando se dá ao aluno a oportunidade de refletir e pesquisar, vinculando as suas referências, sua bagagem de conhecimento ao conhecimento científico, já sistematizado, relacionando-os com a realidade. Dando-lhe, ainda, a oportunidade de experimentar, investigar, trocar ideias. Assim, o aluno estará pesquisando e construindo um conhecimento significativo que lhe permite compreender e significar o cotidiano e os diversos contextos locais e globais.

No trabalho com projetos, os diferentes estilos de aprendizagem, considerando as características, os talentos e as qualidades dos aprendizes, podem ser mobilizados com o intuito de superar as dificuldades que impedem a aprendizagem. Outra estratégia importante é valorizar as atividades preferidas pelo grupo, pois elas têm grande poder mobilizador.

A proposta permite o desenvolvimento da criatividade, da inovação, da quebra das rotinas, da utilização de materiais diversificados. Na contextualização do projeto, a maior riqueza da proposta está na utilização da realidade como fonte de pesquisa, pois essa se constitui, sem dúvida, numa fonte disponível, barata e inesgotável de informações.

JP – Como este tipo de metodologia pode ser utilizado em sala de aula?

AME – A metodologia se pauta na pesquisa, vinculada ao projeto pedagógico da escola, que seja fruto de reflexão coletiva e continuada, e que de preferência se paute numa concepção de currículo integrado.

A participação irá se dar por meio de planejamento, aplicação e avaliação participativa de projetos de pesquisa interdisciplinar. Essa participação, a que me refiro, dá-se em dois níveis:

1. a participação efetiva do professor na elaboração do projeto da escola – a partir do qual irá desenvolver os projetos em sala de aula; 2. a participação dos alunos no planejamento, aplicação e avaliação do projeto de aprendizagem.

O currículo integrado, nessa proposta, poderá contribuir na superação da dicotomia e da fragmentação formativa, pois enfatiza a produção do conhecimento interdisciplinar, contextualizado e inovador. O currículo integrado seria aquele capaz de promover a inter-relação teórico-prática no processo formativo e, ainda mais, permitir às disciplinas interatuarem como unidades integradas e contextualizadas. Esta modalidade enfatiza a problematização na construção do conhecimento.

JP – Quais os aspectos desta metodologia que devem ser observados e levados em consideração na hora de elaborar um projeto como os que participam do Prêmio Professores do Brasil?

AME - A inovação pedagógica poderá se processar mediante organização de projetos integrados de aprendizagem – PIA –, orientados nos princípios da interdisciplinaridade, da problematização e da pesquisa contextualizada, objetivando a construção individual e coletiva do conhecimento significativo e a construção do currículo mediante planejamento e gestão participativa do projeto pedagógico da escola.

Na elaboração de um projeto, devem ser observados como princípios básicos a pesquisa, a interdisciplinaridade e a participação, habilidades já referidas na resposta anterior. No encaminhamento metodológico, sugiro a consideração de quatro etapas inter-relacionadas e complementares.

A) Mobilização para o conhecimento: na mobilização, definido coletivamente o tema da aprendizagem, cabe ao professor provocar, nos aprendizes, a curiosidade, a motivação para aprender, enfim, mobilizá-los para que o processo de aprendizagem se inicie. Sugestão de procedimentos: observação e análise de filmes, fotografias, músicas, poemas, pequenos textos, gravuras e gráficos, além de perguntas e relato de fatos do cotidiano.

B) Pesquisa do conhecimento sistematizado: no segundo momento, na pesquisa do conhecimento sistematizado, objetiva-se o levantamento dos conceitos básicos e iniciais já sistematizados disponíveis a respeito do tema, compreendendo o conhecimento sobre a realidade. Esses conceitos iniciais são de extrema relevância para a operacionalização da fase seguinte, que objetiva interrogar a realidade, questionando o conhecimento já sistematizado. Sugestão de procedimentos: coleta de informações sistematizadas sobre o tema consultando livros, revistas, jornais e meios eletrônicos.

C) Pesquisa de campo: no terceiro momento, processa-se a pesquisa de campo, quando o aprendiz irá aprender com, na e da realidade. Os sujeitos interrogam a realidade, inseridos, envolvidos nela. Sugestão de procedimentos: coleta de informações na vida real, utilizando observação, entrevistas, aplicação de questionários.

D) Atividades de aplicação, aprofundamento e sistematização do conhecimento: é no quarto momento que o conhecimento é sistematizado e reintegrado à prática, mediante atividades de aplicação, aprofundamento e sistematização do conhecimento produzido. Aqui se abrem novos questionamentos que poderão desencadear um novo processo. Sugestão de procedimentos: produção de textos individuais e coletivos, debates, elaboração de relatórios, organização de campanhas de conscientização da comunidade, palestras, confecção de maquetes, painéis, criação de poesias, músicas, peças teatrais, gráficos e tabelas.

Essa sugestão de encaminhamento metodológico foi inspirada nos estudos de Freire (1980), Vasconcelos (1995) e publicada em EYNG, Ana Maria. Planejamento e gestão da construção do conhecimento no cotidiano escolar: plures-humanidades. Revista da coordenadoria de pesquisa e pós-graduação, Ribeirão Preto: 3, 1, p. 14-34, jan./out., 2002.

JP – Os projetos podem ajudar no crescimento pessoal e profissional dos professores?

AME - O trabalho com projetos suscita um processo inovador que requer a mudança de cultura, dos gestores, dos professores, dos pais, dos alunos, das instituições e dos sistemas escolares. Enfrentar esse desafio, que pode ser deflagrado por um novo olhar à prática pedagógica, poderá efetivar-se na construção de uma nova profissionalidade docente e de um novo papel da escola como gestora, e ao mesmo tempo como espaço privilegiado no processo, tanto da formação inicial, quanto na formação continuada do conjunto de seus protagonistas.

Acredito que o trabalho com projetos de aprendizagem podem ser inspiradores na busca por ressignificar o sentido da educação e o sentido da vida humana. Esse movimento tem um enorme potencial e há que ser continuado, como afirmou um aluno (de primeira série) no final do tempo destinado ao projeto. Quando a professora explicou para a sua turma que naquele momento iriam fazer a avaliação do projeto que havia acabado, um menino se manifesta, dizendo: “Professora, o projeto não acabou, ele está na nossa vida todo o dia!”

“Eyng, Ana Maria. Trabalho com projetos traz diversos benefícios. Portal do Professor, 2009.”


 


Link do Artigo Referido:


http://portaldoprofessor.mec.gov.br/noticias.html?idEdicao=34&idCategoria=8


 


 





LÍNGUA PORTUGUESA

"Matilda": como adaptar um texto para o cinema

Como despertar o interesse pelos livros com o filme "Pagemaster - O Mestre da Fantasia"

MATEMÁTICA

"Donald no País da Matemágica": geometria e fantasia

Como explorar a geometria com o documentário "Amilcar de Castro"

CIÊNCIAS

"Bee Movie" e as relações entre fauna e flora

"Wall-E": os impactos causados pelo lixo e a necessidade de reciclar

Como apresentar o ecossistema marinho com "Procurando Nemo"

"Osmose Jones" retrata o funcionamento dos sistemas digestório, imunológico e nervoso.

HISTÓRIA

"Carlota Joaquina - A Princesa do Brasil" e a caricatura do Brasil Colônia

Como utilizar "O Príncipe do Egito" para explicar as origens das religões

Explorando a linguagem oral com o filme "Narradores de Javé"



GEOGRAFIA

"De Volta para o Futuro": explore as mudanças nos costumes e na paisagem

Vulcanismo: fenômeno natural ou tragédia? Como explorar o tema com "Volcano - A Fúria"

Como explorar as diferentes paisagens brasileiras com "O Caminho das Nuvens"

ARTE

Atividade de percepção sonora com o filme "O Som do Coração"

"O Estranho Mundo de Jack": como criar um um storyboard

Como apresentar a música erudita para a turma com o filme "O Segredo de Beethoven"



EDUCAÇÃO FÍSICA

"Space Jam - O Jogo do Século": lição de cooperação e trabalho em grupo

Como valorizar o companherismo na prática esportiva com a animação "Carros"

"Boleiros - Era uma Vez o Futebol...": como analisar o esporte sob a perspectiva cultural




 
Segunda-feira, 30 de Abril de 2012   |   ISSN 1519-7670 - Ano 16 - nº 691

CADERNO DA CIDADANIA

VOLTA ÀS AULAS

Reportagens constatam despreparo das redes de ensino

Por Mariângela Graciano em 09/03/2010 na edição 580

A cobertura educacional na última semana de fevereiro (22 a 28) foi marcada por notícias que registram dificuldades encontradas por estudantes e professores para iniciar o ano letivo. A Notícia (SC, 25 e 26/2) eA Gazeta (MT, 26/2) destacaram a precariedade das condições físicas de prédios, que obrigaram a improvisos inusitados, como aulas em corredores, embaixo de árvores ou o adiamento do retorno por tempo indeterminado.

Outro tema preocupante é a falta de vagas para atender estudantes do ensino fundamental, conforme noticiaram a Gazeta do Povo (PR, 23/2) e o Diário de Natal (RN, 23/2). Vale destacar que no ano passado oAção na Mídia identificou conjunto de reportagens similar, o que indica uma tendência que contradiz as informações oficiais, atualmente senso comum, sobre a universalização do acesso à educação na faixa dos 7 aos 14 anos.

A situação, identificada por alguns jornais, merece investigação em todos os municípios. Os conselhos tutelares são importantes fontes de informação para a produção de reportagens sobre o tema, assim como é preciso perguntar aos gestores das diferentes redes de ensino sobre a orientação para o registro de demanda (quando mães e pais procuram a escola para matricular as crianças e não há vagas, onde e como é registrada a solicitação?), e conferir se a versão oficial se confirma nas unidades escolares. As razões para a falta de vagas também não foram abordadas nas reportagens – escolas foram fechadas? Número de turnos reduzidos sem a ampliação do número de salas? São algumas das perguntas que os gestores têm a obrigação de responder.

Quais as medidas cabíveis

A falta de preparo das redes de ensino de São Paulo – estadual e da capital – para receber as crianças de seis anos no ensino fundamental pautou a Folha de S.Paulo em (26/2). O jornal acerta em visitar escolas e mostrar as dificuldades cotidianas, enfrentadas por estudantes e professoras, assim como em estimular os gestores a explicarem as medidas para superar a situação e trazer reflexões de pesquisadores sobre o direito da infância e as opções pedagógicas. Mas se equivoca ao explicar o contexto.

Embora a lei que estabelece a matrícula aos 6 anos seja de 2005, esta apenas cumpre determinação do Plano Nacional de Educação, de 2000, e está no contexto da ampliação do ensino fundamental de 8 para 9 anos, determinado no PNE. Também é equivocada a abordagem que a medida, atribuída ao MEC, se destina a colocar as crianças pobres na escola. Não é nem uma coisa, nem outra. O MEC apenas cumpriu o estabelecido no PNE – nada além de sua obrigação –, e trata-se de uma política universal – não é uma ação afirmativa, ou compensatória, ou ainda um programa de inclusão social. Aliás, seria interessante verificar se e como as redes privadas de ensino estão cumprindo a lei.

As três situações registradas pelos jornais evidenciam falhas na gestão da educação e seria muito importante que as reportagens tomassem o sistema de justiça como fonte para informar quais as medidas cabíveis para a responsabilização administrativa e judicial dos governantes. Afinal, ninguém pode alegar surpresa ou falta de tempo para planejar o início de um ano letivo.

Audiência no STF discute cotas

Folha de S.Paulo (26/2) e O Globo (27/2) noticiaram os resultados do desempenho dos estudantes paulistas no exame criado pela Secretaria Estadual de Educação. A Folha acertou em repercutir os resultados, interpretados pelos gestores como validação de sua política de remuneração por bônus e adoção de apostilas, com pesquisadores do campo. A informação sobre a mudança na metodologia para computar os resultados, agora considerando suficiente o que era insuficiente no ano passado, ajudou a entender os resultados. A lamentar que outros veículos tenham simplesmente reproduzido as informações produzidas pela assessoria de imprensa da SEE/SP.

A audiência pública promovida pelo STF nos dias 3, 4 e 5 de março para ouvir argumentos contrários e favoráveis à adoção de cotas para o ingresso de pessoas negras nas universidades teve pouco destaque nos jornais. Correio Braziliense (26/2), O Globo (26 e 27/2) e Jornal de Brasília (28/2) trataram do tema em pequenas notas. Também, editorial de O Globo, comentando o evento em tom alarmista, argumentou que o ingresso de estudantes por meio de cotas coloca em risco a qualidade das instituições de ensino, quando pesquisas que provam justamente o contrário são bastante conhecidas.

No total, 38 pessoas foram chamadas a se pronunciar no STF para instruir seus membros, que devem julgar a ação de inconstitucionalidade proposta pelo DEM. Divulgar os diferentes argumentos apresentados na audiência é uma importante pauta para a próxima semana para estimular a sociedade em geral a se envolver com a temática. Leia mais sobre a audiência pública do STF emwww.acaoeducativa.org.

Tolerância zero

"Professores de castigo" foi o título da polêmica reportagem publicada pela revista Época (22/2) abordando medidas adotadas pela prefeitura de Nova York para afastar das salas de aula professores que não correspondem às expectativas das direções. A reportagem conta em detalhes, e com entusiasmo, que os professores afastados, sem direito à defesa inicial, aguardam a decisão sobre sua permanência na carreira "de castigo": "passam os dias de trabalho confinados em salas vazias, dentro de complexos chamados de Centro de Recolocação Temporária", onde são vigiados por seguranças; não podem ler, falar ao telefone ou usar computador.

A repórter Camila Guimarães poderia ter apresentado pelo menos uma fonte qualificada para comentar a medida, inclusive do ponto de vista ético, ao invés de se ocupar tanto com os custos da ação.

O texto tenta justificar a ação do prefeito com frases de pesquisadoras de instituições privadas brasileiras que afirmam haver conflito entre os direitos da carreira docente e o direito de aprender das crianças e que os professores não admitem precisar de ajuda. As fontes e as frases são as mesmas utilizadas nas reportagens que defendem a remuneração por bônus, implementada pela SEE/SP e citada na matéria como uma versão "mais suave" que as salas de castigo, pois ao invés de punir os maus, premia os bons. Bastante infeliz a comparação; ainda que não existam dados que comprovem a eficácia da política de bônus adotada em São Paulo, felizmente ela não tem nada em comum com uma ação que se aproxima do campo da segurança pública, uma quase medida de privação de liberdade.

A produção de reportagens pautadas em experiências internacionais exige, além de bom senso, consulta a fontes que possam contribuir com informações e análises baseadas em pesquisas e dados consistentes.Confira aqui o Banco de Fontes sobre ofício docente.



     FONTE:http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/reportagens_constatam_despreparo_das_redes_de_ensino




Projeto: Água


Objetivos - Reconhecer características da água.
- Associar o uso da água a algumas de suas características.
- Perceber a interferência do homem no meio ambiente.

Conteúdos
- Características e propriedades da água.
- Distribuição da água no planeta.
- Utilização da água pelo homem.

Anos 3º ao 5º.

Tempo estimado Dois meses.

Material necessário
Água, copo de papel, folha de papel, vela, fósforo, recipiente plástico, giz, suco em pó ou corante, garrafa PET, açúcar, sal e detergente.

Flexibilização
Para trabalhar esta sequência com alunos com deficiência auditiva (com compreensão inicial de Libras e em processo de alfabetização), na primeira etapa, oriente-os individualmente, explicando em detalhes como será cada etapa da atividade. Ao falar para o grupo, dirija-se ao aluno com deficiência e estimule sua leitura orofacial.
Na segunda etapa, amplie o repertório do aluno sobre o tema, encaminhando leituras e atividades junto ao AEE ou como lição de casa.
Na terceira etapa, estimule a participação do aluno com deficiência fazendo perguntas dirigidas apenas a ele e peça que socialize suas ideias com o grupo.
Na avaliação, combine antecipadamente com o aluno como será sua participação na Feira de Ciências. Caso sua comunicação com o público seja limitada, ele pode se sentir mais representado pelos registros em cartazes ou vídeos feitos com o grupo.

Desenvolvimento 1ª etapa Informe aos alunos que eles farão um trabalho para ser apresentado numa feira de Ciências sobre o tema "Água". Divida a turma em grupos com, no máximo, cinco integrantes, e avise que todos estudarão vários aspectos ligados ao assunto. É importante lembrá-los de que o evento será investigativo. Caberá aos estudantes envolvidos no projeto, portanto, fazer a mediação com os visitantes da feira durante o processo de construção de alguns conhecimentos.

2ª etapa Para dar início à preparação da feira, deixe que os alunos observem você colocar um pedaço de papel na chama de uma vela para que ele pegue fogo. Em seguida, trabalhe as seguintes questões: 1) Por que, ao ser posto no fogo por alguns instantes, um copo de papel com água não pega fogo? A água do copo esquenta? Você pode fazer uma demonstração dobrando uma folha de papel em forma de cone e colocando dentro dele um pouco de água. Depois, aproxime-o da chama da vela. As crianças perceberão que, dessa vez, o papel não pega fogo, pois a água é capaz de absorver a maior parte do calor. Peça sugestões de outros casos em que a capacidade térmica da água seja evidenciada. Exemplo: quando entramos no mar ou em uma piscina à noite e sentimos que a água está quente (essa sensação se deve justamente ao fato de a água ter passado o dia inteiro absorvendo calor); 2) Por que a água é considerada um solvente universal? Os estudantes podem fazer misturas de água com sal, açúcar e detergente para notar que todas essas substâncias se dissolvem; 3) Por que, quando molhamos a barra da calça na chuva, ela acaba ficando úmida até quase a altura dos joelhos? Para explicar esse fenômeno, chamado capilaridade, proponha experimentos como os seguintes: em um recipiente, coloque um pouco de água e adicione corante ou suco em pó. Depois, peça que os alunos mergulhem a ponta de um giz branco no líquido. Eles verão que a parte colorida "subirá" além do ponto em que o giz foi mergulhado. O mesmo pode ser observado ao mergulhar em um recipiente a ponta de uma toalha de banho; 4) Por que alguns insetos são capazes de "andar" na superfície da água? Esse é o gancho para abordar outra propriedade importante da água: a tensão superficial. Faça uma investigação sobre o tema com a turma; 5) A água disponível na natureza vai acabar um dia? Para discutir o assunto, leve para a sala uma garrafa PET e monte um modelo de escala da água do planeta. Se toda ela coubesse numa garrafa de 2 litros, quanto desse total seria doce? Resposta: apenas três ou quatro colheres de sopa. Quanto dessa água doce está em forma líquida e disponível para consumo? Resposta: aproximadamente três gotas. Durante a atividade, faça perguntas sobre a utilização desse recurso natural pelo homem e as possíveis consequências do uso inconsciente.

3ª etapa É hora de a garotada elaborar a problematização que será desenvolvida junto aos visitantes da feira de Ciências. Explique que ela deve estar relacionada aos seguintes conteúdos: 1) Características e propriedades da água; 2) Distribuição da água no planeta; 3) Utilização da água pelo homem. Garanta que, durante as aulas, os estudantes tenham contato com esses conteúdos. É fundamental que eles pesquisem, façam experimentos e escrevam sobre os três temas.

4ª etapa
Explique à turma que a feira de Ciências que vocês pretendem organizar só será investigativa se os visitantes participarem das atividades. Dê alguns exemplos de como isso pode ser conseguido. Uma estratégia é propor aos estudantes que trabalhem em grupo para solucionar um problema, deixando claro que os questionamentos apresentados por você durante as aulas de preparação para a feira podem ser repetidos com os visitantes. Avise que você estará por perto o tempo todo para ajudar. Produto final Feira de Ciências.

Avaliação Avalie a participação de cada aluno e verifique se os objetivos de aprendizagem foram atingidos. Uma breve apresentação do trabalho em sala de aula.


7 erros do professor em sala de aula

Confira como evitar atividades sem foco ou morosas, que roubam um precioso tempo da aprendizagem

Ilustração: Orlandeli
1. Utilizar o tempo de aula para corrigir provas

O problema Deixar a turma sem fazer nada ao corrigir exames ou propor que os alunos confiram as avaliações.

A solução Nesse caso, o antídoto é evitar a ação. Corrigir provas é tarefa do educador, para que ele possa aferir os pontos em que cada um precisa avançar. E o momento certo para isso é na hora-atividade.
Ilustração: Orlandeli
2. Exigir que todos falem na socialização

O problema Durante um debate, pedir que todos os estudantes se manifestem, gerando desinteresse e opiniões repetitivas.

A solução
O ideal é fazer perguntas como "Alguém tem opinião diferente?" e "E você? Quer acrescentar algo?". Assim, as falas não coincidem e os alunos são incentivados a ouvir e a refletir.
Ilustração: Orlandeli
3. Não desafiar alunos adiantados

O problema Crianças que terminam suas tarefas ficam ociosas ao esperar que os demais acabem. Além de perder uma chance de aprender, atrapalham os colegas que ainda estão trabalhando.

A solução
Ter uma segunda atividade relacionada ao tema da primeira para contemplar os mais rápidos.
Ilustração: Orlandeli
4. Colocar a turma para organizar a sala

O problema A arrumação de carteiras e mesas para trabalhos em grupo e rodas de leitura acaba tomando uma parte da aula maior do que das atividades em si.

A solução
Analisar se a mudança na disposição do mobiliário influi, de fato, no aprendizado. Em caso positivo, vale programar arrumações prévias à aula.
Ilustração: Orlandeli
5. Falar de atualidades e esquecer o currículo

O problema Abordar o assunto mais quente do momento por várias aulas, o que pode sacrificar o tempo dedicado ao conteúdo.

A solução
Dosar o espaço das atualidades e contextualizar o tema. Em Geografia, por exemplo, pode-se falar de deslizamentos de terra relacionando-os aos tópicos de geologia.
Ilustração: Orlandeli
6. Realizar atividades manuais sem conteúdo

O problema Pedir que os alunos façam atividades como lembrancinhas para datas comemorativas sem nenhum objetivo pedagógico.

A solução
Só propor atividades manuais ligadas a conteúdos curriculares - nas aulas de Artes, por exemplo, para estudar a colagem como um procedimento artístico.
Ilustração: Orlandeli
7. Propor pesquisas genéricas

O problema Pedir trabalhos individuais sobre um tema sem nenhum tipo de subdivisão. Como resultado, surgem produções iguais e, muitas vezes, superficiais.

A solução
Dividir o tema em outros menores e com indicações claras do que pesquisar. Isso proporciona investigações mais profundas e dinamiza a socialização.
Resta lembrar que nem tudo o que foge ao planejamento é perda de tempo. Questionamentos, por exemplo, são indícios de interesse no assunto ou de que um ponto precisa ser esclarecido. "Para esse tipo de desvio de rota, vale, sim, abrir espaço. Afinal, são atividades reflexivas e que auxiliam na aprendizagem", afirma Cristiane Pelissari, formadora da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo.

 BIBLIOGRAFIA
Competências e Habilidades: Da Proposta à Prática
, Carlos Henrique Carrilho Cruz, 64 págs., Ed. Loyola,
 FONTE http://revistaescola.abril.com.br/